O auspicioso arranque de
temporada colocou Adriano no "top" mundial de avançados. O início na favela de
Vila Cruzeiro teve contornos de sobrevivência, mas o tempo fez emergir o talento
muito próprio do sucessor natural de Ronaldo.

Virtuoso, ágil e forte. Adriano, avançado carioca de 22 anos, é a grande referência no ataque no arranque da temporada. Entre Campeonato e Liga dos Campeões já soma quase tantos golos como jogos. Adriano é um sério candidato a um futuro prémio de Melhor Jogador do Ano. Giacinto Facchetti, presidente do clube, descreve na perfeição o que faz incidir sobre Adriano o principal foco do futebol europeu: "Demonstra força, técnica, coragem, grande domínio de bola e uma frieza apenas alcançável aos campeões. Mancini descreve-o de outra forma, não menos exuberante: "Tem a força de Riva, a agilidade de Van Basten e o sentido de oportunidade de Romário".
Mas nem tudo foram alegrias. No caminho, o Imperador - nome dado pelos adeptos do Inter - teve de trabalhar muito para chegar ao patamar que o equipara actualmente ao fenómeno Ronaldo.
A história do jovem no Brasil confunde - se com aventura pela sobrevivência. Nascido e criado na favela de Vila Cruzeiro - local com índice elevado de violência -, cedo marcou presença assídua nos jogos de rua. Atenta aos dotes do filho, Rosilda acompanhou Adriano às escolinhas do Flamengo. As qualidades convenceram os responsáveis, primeiro no futsal e mais tarde no futebol. O brasileiro principiava a sua carreira no desporto - rei, que o levou ao topo mundial. Mas vicissitudes da vida ameaçaram retirar - lhe o trono...
"Aos 10 anos, um polícia discutiu com um vizinho e começou a disparar. Dois tiros acertaram no peito do vizinho e outro na cabeça do meu pai. A bala ficou alojada no crânio. Não tínhamos dinheiro para pagar a operação. Durante esses anos, teve convulsões e dores imensas. Agora já posso pagar a cirurgia mas ele tem medo e não quer", frisou o avançado em Itália.
Ao longo da carreira Adriano experimentou várias posições: de central para lateral - esquerdo até chegar às mãos de Carlos Alberto que o experimentou a extremo e a avançado.
O Mundial de sub 17 foi o primeiro título pelo Brasil, enquanto era ainda júnior. Apesar de não ser titular pipoca (alcunha inventada pela avó) teve estreia memorável: a 6 de Fevereiro de 2000, entrou ao intervalo do jogo ante o São Paulo para marcar um golo e "inventar" três assistências. Resultado final: 5-2. A presença no onze tornou - se frequente e com 20 anos Emerson Leão concedeu - lhe a estreia na "Canarinha".
O clube transferiu - o por 5 Milhões. E na estreia pelo Inter, na Taça Santiago Barnabéu marcou o golo da vitória ante o Real Madrid, apontando um poderoso livre directo. Mas as dificuldades com clima e idioma, juntamente com os choques com o treinador (Cúper), ditaram a sua saída para a Fiorentina.
A crise financeira da formação "viola" começava - se a desenrolar e nem os golos de Adriano safaram a Fiorentina da descida de divisão. Em paralelo, o Torneio de Toulon motivou o interesse de muitos emblemas europeus. O Parma comprou metade do passe por 8 Milhões de Euros.
No Ennio Tardini, o avançado potenciou as qualidades. Em 2002 / 2003 apontou 15 golos em 28 jogos na Série A. No ano seguinte, o escândalo Parmalat obrigou o Parma a desfazer - se de Adriano. O Inter gastou 20 Milhões de Euros e ficou com a totalidade do passe.
O golo apontado na final da Copa América potenciou a brilhante imagem que o avançado construiu em Milão. O Brasil venceu nas grandes penalidades e Adriano entrou para a história como herói do triunfo mais memorável ante o velho rival.